Porquê se agarrar ao pensamento “Quem sou eu”?


     Porquê se agarrar ao pensamento “Quem sou eu”?      


Ramana Maharshi recomenda a prática da autoinquirição “Quem sou eu?”, como a forma mais directa de encontrar a Consciência Pura, a Fonte do “eu”. 

Durante a sua execução, deve-se concentrar no sentimento interno de “eu” ou “eu sou” ou ainda no sentimento de ser.


Este processo faz com que a consciência se vire sobre si mesma em busca da sua Fonte, o Eu Superior.


Uma vez chegados aqui, a Consciência tomará conta de si própria e não haverá mais esforço algum.


Vamos, então, prestar atenção no que nos ensina Ramana Maharshi:       


               
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D. −“Porquê se agarrar ao pensamento ‘Quem sou eu?’”
 

M. − “Quando surgem outros pensamentos, não se deve insistir neles, mas indagar: ‘Para que surgem esses pensamentos?’.
 

Não importa quantos são eles. A cada um, deve-se indagar, prontamente: ‘Para quem surgiu este pensamento?’. A resposta seria: ‘Para mim’.
 

* Se, logo depois, se fizer a pergunta ‘Quem sou eu?’1, a mente retorna à sua fonte e o pensamento aquieta-se.
 

* Com a repetição−desta−prática2, a mente desenvolverá a habilidade de permanecer na sua fonte.
 

*Quando a mente, que é subtil, aflora através do cérebro e dos órgãos dos sentidos, surgem nomes e formas grosseiras; quando permanece no Coração3, tais nomes e formas desaparecem.
 

* Impedir que a mente divague e retê-la no Coração é o que se chama ‘interiorização4.
 

* Permitir que a mente saia do Coração é conhecido como ‘exteriorização5.
 

* Assim, quando a mente permanece no Coração, o ‘eu’, que é a fonte de todos os pensamentos, desaparece e o Eu Superior, que sempre existiu, pode brilhar.
 

O que quer que se faça, deve-se fazê-lo sem o ‘eu’−egóico6.
 

Desta forma, tudo aparecerá como natureza de Shiva7 (Deus8).”.9
 

1 Arthur Osborne: “… por ‘concentração’ ele [Ramana] não queria dizer concentrar-se num objecto… mas sim, concentrar-se no sentimento de ser, no sentimento interior ’eu’ ou ‘eu sou’, excluindo todos os pensamentos e objectos.”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 152, Editora Advaita
 

Ramana: “… se fizer a pergunta ‘Quem sou eu?’, a mente retorna à sua Fonte e o pensamento aquieta-se.
 

Com a repetição desta prática, a mente desenvolverá a habilidade de permanecer na sua Fonte…”. Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 22, Editora Cultrix, 1998
 

Arthur Osborne: “… Por questões práticas Maharshi, às vezes, falava em ‘abandonar o falso eu’ para se buscar o Eu Real; 

no entanto, isso não significa que existam dois ‘eus’ no homem.

O que, na verdade, ele queria dizer é que se deve cessar de identificar a consciência a um ‘eu’ individual, a fim de poder perceber que essa consciência é igual ao Eu Real e que d’Este se origina…”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 146, Editora Advaita
 

Ramana: “Você não precisa de eliminar nenhum falso ‘eu’. Como pode o ‘eu’ eliminar-se a si mesmo?
 

Tudo o que precisa de fazer é encontrar a Fonte do ‘eu’ e permanecer lá.
 

O seu esforço só pode levá-lo até a esse ponto. A partir daí o Transcendental vai tomar conta de si mesmo. Você não pode fazer mais nada, então. Nenhum esforço pode chegar até Ele.”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 142, Editora Advaita
 

2 Ramana: “A prática intensa e incessante é indispensável, até ao momento em que a pessoa permanece, sem o mínimo esforço, no estado natural da mente, no qual está livre do pensamento;
 

em outras palavras, até o ‘eu’, ‘meu’ e ‘mim’ serem completamente erradicados e destruídos.”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 150, Editora Advaita
 

Ramana: “A meditação é uma luta: assim que se começa a meditar os outros pensamentos invadem a sua mente, ganham força, e tentam esmagar o pensamento ou objecto único que tenta manter.
 

Com a prática repetida, a capacidade da mente de manter-se nesse pensamento único aumenta, gradualmente. Quando o pensamento ou objecto único for forte o suficiente, os outros pensamentos serão expulsos.

Essa é a batalha constante da meditação…”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 92, Editora Advaita
 

3 Ramana: “… o Eu Real é o Coração. Realmente, o Eu é o centro e ele está sempre consciente de Si mesmo como sendo o Coração ou Autoconsciência.”. Página 154 do livro Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Editora Advaita.                                          
 

4 Interiorização ou antar-mukha
 

A “interiorização” é obtida mais directamente através da autoinvestigação “Quem sou eu?”, pois esta vira a consciência sobre si mesma, à procura da Autoconsciência.
 

Ramana: “Impedir que a mente divague e retê-la no Coração [Autoconsciência] é o que se chama ‘interiorização’.”. Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 22, Editora Cultrix, 1998
 

Ramana: “… puxar a mente de volta ao interior toda a vez que ela vaguear ou voltar-se para fora… Claro que não é algo fácil de ser feito. Apenas com a prática o controlo da mente torna-se possível… ”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 151, Editora Advaita
 

Ramana: “… Voltar os pensamentos para o interior, restringindo-os, e evitando que eles se desviem para fora, é desapego, vairagya .
 

Fixar a consciência no Eu Real é a prática espiritual, sadhana… “. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 153, Editora Advaita
 

Arthur Osborne: “… Ramana Maharshi, às vezes, respondia que a autoinquirição… faz com que a consciência se volte para si própria, a buscar a sua Fonte…” Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 151, Editora Advaita
 

Ramana: “Quando a atenção está voltada para os objectos e o intelecto, a mente toma conhecimento só daquilo. Este é o nosso estado presente.
 

Mas, quando tentamos encontrar o SER dentro de nós, tornamo-nos conscientes, exclusivamente, disso.
 

Logo, toda a questão está na atenção.”. A Imortalidade Consciente Diálogo Com Ramana Maharshi, Página 19, EDC Editora Didática e Científica
 

Ramana: “… Mas o realizado, jnani, esmaga o ego na sua Fonte… o surgimento ou existência do ego é apenas aparente e ele usufrui da sua Experiência contínua e transcendentalmantendo sempre a atenção, laksya, na Fonte.
 

Esse ego é inofensivo…”. Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 83, Editora Cultrix, 1998
 

5 Exteriorização ou bahir-mukha
 

Exteriorização” é deixar a mente entregue a si própria, consentindo que ela deambule fora do Eu Real, associada a objectos e pensamentos, na vigília e no sonho.
 

Ramana: “Como a sua experiência consciente se limita à duração da exteriorização mental, você denomina o presente momento de estado de vigília, enquanto todo o tempo a sua mente está profundamente adormecida para o Eu Superior; 

portanto, na verdade, neste momento, você está profundamente adormecido. ”. Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 139, Editora Cultrix, 1998
 

Ramana: “Permitir que a mente saia do Coração é conhecido como ‘exteriorização’.”.  Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 22, Editora Cultrix, 1998 
 

Ramana: “… Se a mente vaguear, ao mesmo tempo, devemos consciencializar-nos de que não somos o corpo e fazer a pergunta ‘Quem sou eu?’. 
 

A mente tem de regredir para estar consciente do Ser… ”. A Imortalidade Consciente Diálogo com Ramana Maharshi, Página 19, EDC Editora Didática e Científica
 

Ramana: “… Tudo o que precisa de fazer é abandonar a sua identificação com esse corpo e abandonar todos os pensamentos de coisas externas, isto é, de coisas que não são o Eu Real.
 

Por mais que a mente se exteriorize em direcção aos objectos dos sentidos, detenha-a e fixe-a no Eu.
 

Esse é todo o esforço que se requer da sua parte.”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 150, Editora Advaita
 

Ramana: “… O pensamento− ‘eu’… surge simultaneamente com o corpo, vive e desaparece juntamente com ele.
 

A consciência ‘eu sou o corpo/este é o meu corpo’ é o falso ‘eu’.
 

Abandone-a. Pode fazer isso buscando a Fonte do sentimento− ‘eu’.
 

O corpo não diz ‘eu sou’. É você quem diz: ‘eu sou o corpo’.
 

Descubra o que é este ‘eu’;
 

busque a sua Fonte e ele desaparecerá.”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Página 143, Editora Advaita
 

Ramana: “… Quando se identifica com o corpo, nome e forma estão presentes… quando transcende a consciência do corpo os ‘outros’ também desaparecem.
 

O Realizado não vê o mundo como algo diferente de si mesmo.”. Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 88, Editora Cultrix, 1998
 

Devoto: “Para mim o sono é o vazio.”.
 

Ramana: “E é assim, porque o seu estado de vigília é a mente inquieta em ebolição.”. Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 139, Editora Cultrix, 1998
 

Ramana: “O não-realizado, ajnani, não consegue permanecer muito tempo em sono profundo, susupti, pois vê-se forçado, pela sua natureza, a sair dele.
 

O seu ego não está morto e ressurgirá repetidas vezes… ao aflorar, o ego do não-realizado (na verdade, ele jamais se acalma, excepto no sono profundo) ignora por completo a sua Fonte;
 

em outras palavras, o não-realizado não tem consciência do sono profundo, durante os estados de vigília e sonho… ”. Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 83, Editora Cultrix, 1998
 

6 Ramana: “… A existência do ego, sob qualquer forma, seja no sábio ou no não-realizado, é apenas uma aparência.
 

Mas para o não-realizado… o ego parece real…”. Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 136, Editora Cultrix, 1998
 

7 Ramana: “SER é realizar− logo, ‘EU SOU O QUE EU SOU’. ‘EU SOU’ é Shiva. Nada mais pode ser sem Ele. Todas as coisas têm o seu ser em Shiva, por causa de Shiva. 
 

Portanto, investigue: ‘Quem sou eu?’. Mergulhe profundamente no interior e permaneça como Eu Real. Isso é Shiva como SER.
 

Qual a diferença entre os objectos que você e Shiva? Ele é tanto o sujeito como o objecto.  

Você não pode existir sem Shiva… Pode haver um ser individual sem Shiva? Mesmo agora Ele é você… você não pode ser sem Ele…”. Os Ensinamentos de Ramana Maharshi Em Suas Próprias Palavras, Páginas 196 e 197, Editora Advaita
 

8 Ramana: “… Do ponto de vista absoluto, o Sábio não aceita nenhuma outra existência, salvo a do SER Impessoal, Único e Sem Forma.”. A Imortalidade Consciente Diálogo Com Ramana Maharshi, Página 16, EDC Editora Didática e Científica
 

9 Ramana Maharshi Ensinamentos Espirituais, Página 22, Editora Cultrix, 1998